Os gays estão em todos os lugares. Implícita ou explicitamente, pode-se detectar sua presença na sociedade. Presença esta, no entanto, em geral representada.
Representada pela televisão brasileira, que promete um beijo gay nas novelas; estas que quase sempre nos presenteiam com personagem (ns) gay (s), geralmente na sessão de comédia, para alegrar aos telespectadores. Representada pela televisão também nos programas humorísticos (afinal, ser gay é “pecado” ou é “doença”, mas por que não rir disso?).
Temos representantes na política, ao nosso favor. Até mesmo a secretária dos Direitos Humanos do governo Dilma Rousseff, Maria do Rosário Nunes, entende que o caos instalado pela homofobia, combustível para tantos crimes de ódio pelo Brasil, submete o país a um estado de emergência.
A economia volta seus olhos aos LGBT. A parada gay paulistana ou o novo bloco homossexual no carnaval soteropolitano são provas concretas disso. O Estado ama os LGBT, quando são a causa da lotação de hotéis e aumento do consumo.
E quem ainda não notou a feminilidade na moda masculina atual? Independente de sexualidade, os homens de hoje se depilam, vestem calças e camisetas mais justas, alguns fazem as unhas e usam maquiagem e a maioria não hesita em usar roupas ou acessórios de um tom rosa bem chamativo; afinal, esse tabu do rosa já não existe.
O que se destaca em tudo isso, no entanto, é o espaço que a comunidade gay tem, hoje, na mídia. A população recebe constantemente informações sobre gays. Convive com eles por meio de qualquer meio midiático, inclusive nas já citadas novelas e programas humorísticos. Nesse ínterim, a revista Época lançou um exemplar com tema da capa sobre homofobia. Ora, muitos gays os quais conheço, felicitaram-se ao lê-la. Sentiram que a mídia está apoiando a causa LGBT pelos seus direitos, que não estão sozinhos nessa... Luta?
A realidade é que a comunidade LGBT está nas mãos da mídia. E não, isso não é motivo de felicitação. Apesar de influenciarmos ou estarmos presentes em tudo o que concerne ao cotidiano, nós não temos uma força nossa. A luta contra a homofobia, de modo geral, não é por nós regida, mas sim pela mídia.
Portanto, qual é o nosso direito em reclamar pelas vítimas de homofobia? Se nós não fazemos nada, porque esperar uma atitude do Estado? Até quando vamos deixar tudo a cargo da oblíqua mídia? Até quando vamos esperar que a homofobia termine, sem nada fazer para isso? Até quando vamos esperar que, sozinhos, os políticos ao nosso favor consigam algum avanço numa luta inexistente? Sim, inexistente, porque a luta só realmente existirá quando estiver em nossas mãos.
Os negros, os judeus, as mulheres, os pagãos, não conseguiram sua liberdade contando com a mídia. O que nos fez pensar que seria diferente conosco? Sabem, talvez o maior defeito dos homossexuais, é que eles podem se esconder. Assim, pela comodidade e pelo medo em sair do esconderijo, a luta não inicie.
Àqueles que querem se casar, àqueles que querem viver tranquilamente, amparados por leis, eu peço: comecem a lutar. Caso contrário, conformem-se com a marginalidade.