terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Vendados





Nota – Altamente recomendável a leitura d' “A Alegoria da Caverna”. Há um link no gadget "Sugestão de Leitura", à direita da página, em que está disponível a obra.

                Com a leitura d’ “A Alegoria da Caverna”, de Platão, é possível entender como funciona a intolerância. Pode-se entendê-la não só como aversão ao diferente, mas também e, principalmente, como temor pelo que é desconhecido; o que leva ao apego à ignorância. E o que faz a ignorância, além de iludir o ignorante, comodamente? Com certeza é mais fácil iludir-se com verdades vazias, a buscar o conhecimento e ultrapassar as barreiras impostas pela ignorância.
                Ao sair da caverna, o prisioneiro descobre que todo o conhecimento que lhe foi imposto, constituía-se de ilusões. Todas as definições sobre coisas existentes eram falsas. A partir do momento que a luz do sol atinge seus olhos, ele descobre que comparada a ela, a luz da fogueira não era nada. E quando vê as pessoas, os animais e as plantas, descobre que as sombras que via pela parede da caverna, não eram nada comparado aos seres em si.
                Então, quando a luz da sabedoria brilhava no prisioneiro liberto, ele quis emaná-la diante da treva, dissuadindo os outros prisioneiros das ilusões as quais acreditavam serem verdades. Mas ali, dentro da caverna, ele já era diferente; não mais se tratava de um membro da massa; mas agora da minoria. E ao explicitar sua diferença para com a massa, depara-se com a intolerância. Ali na caverna, ninguém se submeteria às dores sofridas pelo prisioneiro liberto, em seu desapego à ignorância. Muito mais cômodo a eles seria aceitar as ilusões, acreditando ainda tratar-se de verdades. Temiam o desconhecido. Temiam perceber que tudo o que entendiam por verdade, era apenas uma sombra do que é real.
                Fazendo um paralelo entre a Alegoria e o cotidiano, o que se percebe? Uma sociedade a que verdades foram impostas – majoritariamente pela Igreja e pela mídia. Quem são esses donos da verdade absoluta, senão seres humanos? Qual a garantia de que tais verdades absolutas não passam de ilusões? E mesmo sem tal garantia, o que é presenciado no cotidiano? Os que acreditam nas verdades impostas agem da mesma forma como a massa de indivíduos que não saíram da caverna. A intolerância perante as minorias.
                E a paz – a boa convivência – nunca será total, quando afastada da sabedoria. Esta segunda, por sua vez, nunca será alcançada se o indivíduo limitar-se, não tolerando o diferente. Pois é das diferenças que aprendemos o novo. O igual já é conhecido, certo?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Amanda, nunca mais (verídico)

O carro fora freado bruscamente. A pequena Amanda, assustada, arregalara os olhos. O que será que havia acontecido?
- Nunca mais diga isso! – gritou seu pai, virando-se para o banco de trás, onde estava sentada a criança. – Fui claro?
Não. Ela não conseguia, em sua inocência infantil, ver alguma clareza naquilo. Por que seu pai exaltara-se daquela forma, de repente? Ela só estava lhe contando seu dia. E fora um dia feliz, em que sua coragem e atitude fizeram a diferença. Pois ela ajudara uma amiguinha, Fernanda, protegendo-a das provocações de outro coleguinha, que sempre arranjava confusão com todo mundo da escola.
Ela só contara a seu pai que, se fosse “gente grande”, se casaria com Fernanda, tamanha era a admiração depositada na amiguinha. O que havia de errado naquilo? Ela não entendia...
- Fui claro?! – gritou seu pai. Amanda permanecia com os olhinhos arregalados. Agora marejados, devido ao medo que sentia daquele adulto, gritando com ela.
E apesar de sua inocência, livre da intolerância aprendida e vivida pelos adultos, impedir que ela compreendesse e concordasse com a exaltação repentina de seu pai, Amanda respondeu:
- Foi sim, papai. – era uma voz tímida, fraca, impotente perante àquele adulto, com sua voz imperiosa e determinante.
A inocência de Amanda, vencida pelo medo que ela sentira do adulto, nunca mais seria a mesma. Fora corrompida, dilacerada. Agora, não mais a inocência comandaria suas ações. Mas o medo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um papo com mamãe (verídico)



                Havia dias, a mãe de Thiago iniciara as indiretas. Ela queria, na verdade, uma posição definitiva do filho.
                Ele estava usando o computador, quando ela entrou no escritório, falando:
                - Sabe, filho, eu estava lembrando aqui. Nós temos o livre-arbítrio. A gente sempre pode escolher o caminho que queremos seguir.
                Thiago conhecia o motivo pelo qual sua mãe fora levada a lhe dizer aquilo. Todos os dias eram mais e mais indiretas. Ele já não agüentava mais.
                - Se você quiser você pode usar o livre-arbítrio para mudar... – ela continuava dizendo.
                - Mãe. – Thiago interrompeu. – Você decidiu ser hetero?
                Ela não soube o que responder. E tinha medo do que ouviria em seguida.
                - Não, você não decidiu isso. Ninguém opta pela natureza de sua sexualidade. Porque ela é natural, entende? Quando as crianças vão crescendo, sua sexualidade é despertada, naturalmente. Para você, o que mudou foi a forma como via os meninos. Você começou a ver os meninos de outra forma. Comigo, aconteceu essa mesma coisa.
                Infelizmente, o abraço que os dois deram após essa conversa, de nada serviria no futuro. A compreensão aparentada pela mãe era... Só aparência.
                Na verdade, a mãe não entendera a essência daquelas palavras. Se a sexualidade é uma característica natural, faz parte da natureza de cada um. E o que é natural, não é mutável.


           

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um papo antes da novela...

- Eles dizem que não, mas isto é a criação. Essas bichas devem ter sido paparicadas como bonecas, ou não tiveram um pai que os ensinassem a serem machos. – dizia o pai.
Marta, como sempre, balançou a cabeça afirmativamente, em concordância.
- Nosso sobrinho.  – ela começou. – Rafael foi criado cheio de mimos pela minha irmã. E hoje é um jovem problemático, um veadinho de marca maior.
 O que os dois não sabiam, era que Fabio, filho deles, “ensinado a ser macho”, sofria toda vez que ouvia tais comentários sobre homossexuais. Temia surgirem trejeitos ou desejos demasiadamente perceptíveis, o que acarretaria em enorme discórdia em sua casa. Temia a si próprio, pois temia seus pais.
Fabio saiu de seus devaneios, quando seu pai respondia às palavras da mãe.
- Tem razão. E pensar que aquele garoto freqüentou nossa casa... Você não tem mais contato com ele, não é mesmo Fabio? Esse Rafael virou um marginalzinho.
Sentindo pena pelo primo, com a mesma idade e que se assumira aos pais, Fabio perguntou:
- E quem o marginalizou, pai? 

Objetivo do blog e motivo do título

   Este blog visa uma abordagem diferenciada sobre a questão homossexualidade. Abordagem esta, crítica, que, em suma maioria, focará a família. Meu maior desejo é que os pais de jovens homossexuais consigam encontrar aqui algumas respostas, que consigam entender o que se passa na cabeça de um jovem quando descobre a natureza de sua sexualidade. E para os homossexuais que lerem, que encontrem aqui um apoio, caso precisem, para suas aflições; e, caso não precisem, que encontrem aqui um olhar crítico das situações que lhes rodeiam. Já para os leitores que não se encaixam em nenhum destes grupos, que abram as portas de suas mentes para a compreensão.
   O termo arco-íris, empregado no título do blog, faz alusão ao que todos conhecem sobre a homossexualidade; aquilo o que é visível, e que dá espaço para a formação de "pré-conceitos", quando o observador não reflete sobre o observado.
   Aqui, vocês irão além deste arco-íris. Não ficaremos na superfície, mas aprofundaremos a questão. Que se formem os conceitos - bons ou ruins -, mas que por ter bases concretas, não sejam denominados pré-conceitos. Talvez, assim, todos encontrem o que existe além deste arco-íris; não será um pote de ouro, mas será sabedoria e tolerância.