Nota – Altamente recomendável a leitura d' “A Alegoria da Caverna”. Há um link no gadget "Sugestão de Leitura", à direita da página, em que está disponível a obra.
Com a leitura d’ “A Alegoria da Caverna”, de Platão, é possível entender como funciona a intolerância. Pode-se entendê-la não só como aversão ao diferente, mas também e, principalmente, como temor pelo que é desconhecido; o que leva ao apego à ignorância. E o que faz a ignorância, além de iludir o ignorante, comodamente? Com certeza é mais fácil iludir-se com verdades vazias, a buscar o conhecimento e ultrapassar as barreiras impostas pela ignorância.
Ao sair da caverna, o prisioneiro descobre que todo o conhecimento que lhe foi imposto, constituía-se de ilusões. Todas as definições sobre coisas existentes eram falsas. A partir do momento que a luz do sol atinge seus olhos, ele descobre que comparada a ela, a luz da fogueira não era nada. E quando vê as pessoas, os animais e as plantas, descobre que as sombras que via pela parede da caverna, não eram nada comparado aos seres em si.
Então, quando a luz da sabedoria brilhava no prisioneiro liberto, ele quis emaná-la diante da treva, dissuadindo os outros prisioneiros das ilusões as quais acreditavam serem verdades. Mas ali, dentro da caverna, ele já era diferente; não mais se tratava de um membro da massa; mas agora da minoria. E ao explicitar sua diferença para com a massa, depara-se com a intolerância. Ali na caverna, ninguém se submeteria às dores sofridas pelo prisioneiro liberto, em seu desapego à ignorância. Muito mais cômodo a eles seria aceitar as ilusões, acreditando ainda tratar-se de verdades. Temiam o desconhecido. Temiam perceber que tudo o que entendiam por verdade, era apenas uma sombra do que é real.
Fazendo um paralelo entre a Alegoria e o cotidiano, o que se percebe? Uma sociedade a que verdades foram impostas – majoritariamente pela Igreja e pela mídia. Quem são esses donos da verdade absoluta, senão seres humanos? Qual a garantia de que tais verdades absolutas não passam de ilusões? E mesmo sem tal garantia, o que é presenciado no cotidiano? Os que acreditam nas verdades impostas agem da mesma forma como a massa de indivíduos que não saíram da caverna. A intolerância perante as minorias.
E a paz – a boa convivência – nunca será total, quando afastada da sabedoria. Esta segunda, por sua vez, nunca será alcançada se o indivíduo limitar-se, não tolerando o diferente. Pois é das diferenças que aprendemos o novo. O igual já é conhecido, certo?

