sábado, 18 de dezembro de 2010

Amanda, nunca mais (verídico)

O carro fora freado bruscamente. A pequena Amanda, assustada, arregalara os olhos. O que será que havia acontecido?
- Nunca mais diga isso! – gritou seu pai, virando-se para o banco de trás, onde estava sentada a criança. – Fui claro?
Não. Ela não conseguia, em sua inocência infantil, ver alguma clareza naquilo. Por que seu pai exaltara-se daquela forma, de repente? Ela só estava lhe contando seu dia. E fora um dia feliz, em que sua coragem e atitude fizeram a diferença. Pois ela ajudara uma amiguinha, Fernanda, protegendo-a das provocações de outro coleguinha, que sempre arranjava confusão com todo mundo da escola.
Ela só contara a seu pai que, se fosse “gente grande”, se casaria com Fernanda, tamanha era a admiração depositada na amiguinha. O que havia de errado naquilo? Ela não entendia...
- Fui claro?! – gritou seu pai. Amanda permanecia com os olhinhos arregalados. Agora marejados, devido ao medo que sentia daquele adulto, gritando com ela.
E apesar de sua inocência, livre da intolerância aprendida e vivida pelos adultos, impedir que ela compreendesse e concordasse com a exaltação repentina de seu pai, Amanda respondeu:
- Foi sim, papai. – era uma voz tímida, fraca, impotente perante àquele adulto, com sua voz imperiosa e determinante.
A inocência de Amanda, vencida pelo medo que ela sentira do adulto, nunca mais seria a mesma. Fora corrompida, dilacerada. Agora, não mais a inocência comandaria suas ações. Mas o medo.

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