sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Sobre a Mobilização Nacional por uma Educação sem Homofobia

    Plenária concernente ao Plano Nacional de Educação, com finalidade de formar diretrizes que garantam uma educação de qualidade com respeito à diversidade sexual, ocorrida dia 23/11/2011, na Câmara dos Deputados:
             Foi um evento de prestação de contas por parte do MEC e da ABGLT. A SDH enviou um representante, Igo Martini, sem, contudo, apresentar qualquer contribuição para a Mobilização.
            Afora tal prestação de contas, contou-se com as profícuas participações da professora Débora Diniz, do instituto ANIS, e da doutora Miriam Abromavay, da Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. A primeira apresentou sua tese desenvolvida em duas questões:
1 - O que é a homofobia e como afeta a escola?
               Homofobia são expressões de violência, injúria e opressão. Dentro das escolas, ambientes de aprendizado e socialização, faz delas ambientes nada propícios para os jovens LGBTs, que estão descobrindo sua sexualidade. Logo que se percebem indivíduos diferentes do padrão heteronormativo, já começam a enfrentar as humilhações advindas da homofobia ou escondem sua natureza para não serem perseguidos. Sem políticas anti-homofobia dentro de escolas, estas acabam se tornando ambiente de sustentação da heteronormatividade, forma de supressão às sexodiversidades por meio da afirmação da hegemonia heterossexual.
            “O direito penal persegue o passado dos homofóbicos, penalizando-os por uma agressão já cometida. É na escola que se pode suprimir a homofobia no futuro”.
            2 – Por que falar homofobia e não bullying?
            O bullying consiste em provocação em que o autor é um valentão, que possui força física e a utiliza para intimidar ou agredir aqueles que fogem de um padrão estético. É uma discriminação contra uma característica corporal que foge da norma. Podem os valentões agir sozinhos ou em grupos. O bullying se caracteriza por uma violência feita por um aluno, dirigida a outro aluno. A professora repudia o uso desse “vocábulo heteronormatista” e “neologismo burguês” para tratar de violência homofóbica dentro das escolas, pois esta pode se dar na relação professor-professor, professor-aluno, aluno-professor, aluno-aluno, diretor-aluno, diretor-professor, dentre outras possibilidades. Além disso, a homofobia é a aversão a uma característica essencial da pessoa discriminada e não de uma característica corporal como vesguice, obesidade, etc. Além de tantos fatores que desqualificam o termo bullying para denominar a violência homofóbica nas escolas, a professora Diniz também constata que este termo é usado para se falar em “provocação entre alunos, sem citar a prática sexual entre os jovens”. Portanto, o termo bullying visa encobrir a existência de sexualidade na juventude, um tema que faz necessária a abertura de diálogo, inclusive dentro das escolas.
            Além da tese apresentada, a professora cobrou posicionamento do MEC na regulamentação do ensino religioso e de seu material didático nas escolas. Quanto ao material das outras disciplinas, apontou que o não financiamento do MEC a livros que desrespeitem a diversidade sexual não deixa de ser um silêncio à defesa da diversidade, pois os livros deveriam sim, considerar a diversidade. O silêncio mata e dá lugar à opressão.
            Quanto à relação das religiões para com a sexodiversidade, a professora diz: “não há sistema de crença que legitima/autoriza o discurso homofóbico”. E quanto à relação do Estado com as religiões, diz que tudo aquilo que atinge a esfera pública/social, deve seguir as regras do Estado, mas o que se vê é que, quando se tratam das religiões, estas são isentadas.
            Quanto à explanação da Dr.ª Miriam Abromavay, esta concordou com a professora Débora Diniz quanto à importância da criação de leis anti-homofobia em detrimento de leis anti-bullying para resolver a discriminação homofóbica nas escolas. Além disso, a Dr.ª também apresenta dados como:
            - Quase 50% dos jovens, mais de 23 milhões, não gostariam de ter vizinhos LGBTs.
            - Para os jovens homens, a maioria não considera que bater em homossexuais seja algo grave. (Comprova a banalização e normalização da homofobia).
            - Quanto mais jovens, mais homofóbicos são os alunos. (Comprova a necessidade de um programa de combate a homofobia antes do ensino médio)
            Beto de Jesus, da ABGLT reclama da falta de propostas destinadas aos LGBTs no PNE, existindo apenas uma, que seria executada apenas em 2020 e, segundo ele, sofre sérios riscos de passar despercebida quando da implementação do PNE. É a proposta:
         “3.9 Implementar políticas de prevenção à evasão motivada por preconceito e discriminação à orientação sexual ou à identidade de gênero, criando rede de proteção contra formas associadas de exclusão.”
            Muitos dos participantes que pediram a palavra criticaram a cumplicidade do governo para com a bancada fundamentalista e teocrática e o uso dos direitos humanos como moeda de troca para salvar a pele do então ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, motivo do veto ao kit escola sem homofobia. 
             A meu ver a sessão teve objetivo de afirmar as ações da ABGLT e servir de propaganda das ações do governo. O Governo vigente finge dar espaço ao movimento social e parece querer que nos contentemos com o espaço que dá à ABGLT, tendo esta, comprovado sua posição governista ao não repreender a falta de ações efetivas na luta pelos direitos de LGBTs. As ONGs perdem seu papel na nossa luta, ao se comprometerem a receber apoio de governos.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mein Kampf

             Os gays estão em todos os lugares. Implícita ou explicitamente, pode-se detectar sua presença na sociedade. Presença esta, no entanto, em geral representada.
                Representada pela televisão brasileira, que promete um beijo gay nas novelas; estas que quase sempre nos presenteiam com personagem (ns) gay (s), geralmente na sessão de comédia, para alegrar aos telespectadores. Representada pela televisão também nos programas humorísticos (afinal, ser gay é “pecado” ou é “doença”, mas por que não rir disso?).
                Temos representantes na política, ao nosso favor. Até mesmo a secretária dos Direitos Humanos do governo Dilma Rousseff, Maria do Rosário Nunes, entende que o caos instalado pela homofobia, combustível para tantos crimes de ódio pelo Brasil, submete o país a um estado de emergência.
                A economia volta seus olhos aos LGBT. A parada gay paulistana ou o novo bloco homossexual no carnaval soteropolitano são provas concretas disso. O Estado ama os LGBT, quando são a causa da lotação de hotéis e aumento do consumo.
                E quem ainda não notou a feminilidade na moda masculina atual? Independente de sexualidade, os homens de hoje se depilam, vestem calças e camisetas mais justas, alguns fazem as unhas e usam maquiagem e a maioria não hesita em usar roupas ou acessórios de um tom rosa bem chamativo; afinal, esse tabu do rosa já não existe.
                O que se destaca em tudo isso, no entanto, é o espaço que a comunidade gay tem, hoje, na mídia.     A população recebe constantemente informações sobre gays. Convive com eles por meio de qualquer meio midiático, inclusive nas já citadas novelas e programas humorísticos.  Nesse ínterim, a revista Época lançou um exemplar com tema da capa sobre homofobia. Ora, muitos gays os quais conheço, felicitaram-se ao lê-la. Sentiram que a mídia está apoiando a causa LGBT pelos seus direitos, que não estão sozinhos nessa... Luta?
                A realidade é que a comunidade LGBT está nas mãos da mídia. E não, isso não é motivo de felicitação. Apesar de influenciarmos ou estarmos presentes em tudo o que concerne ao cotidiano, nós não temos uma força nossa. A luta contra a homofobia, de modo geral, não é por nós regida, mas sim pela mídia.
                Portanto, qual é o nosso direito em reclamar pelas vítimas de homofobia? Se nós não fazemos nada, porque esperar uma atitude do Estado? Até quando vamos deixar tudo a cargo da oblíqua mídia? Até quando vamos esperar que a homofobia termine, sem nada fazer para isso? Até quando vamos esperar que, sozinhos, os políticos ao nosso favor consigam algum avanço numa luta inexistente? Sim, inexistente, porque a luta só realmente existirá quando estiver em nossas mãos.
                Os negros, os judeus, as mulheres, os pagãos, não conseguiram sua liberdade contando com a mídia. O que nos fez pensar que seria diferente conosco? Sabem, talvez o maior defeito dos homossexuais, é que eles podem se esconder. Assim, pela comodidade e pelo medo em sair do esconderijo, a luta não inicie.
                Àqueles que querem se casar, àqueles que querem viver tranquilamente, amparados por leis, eu peço: comecem a lutar. Caso contrário, conformem-se com a marginalidade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Vendados





Nota – Altamente recomendável a leitura d' “A Alegoria da Caverna”. Há um link no gadget "Sugestão de Leitura", à direita da página, em que está disponível a obra.

                Com a leitura d’ “A Alegoria da Caverna”, de Platão, é possível entender como funciona a intolerância. Pode-se entendê-la não só como aversão ao diferente, mas também e, principalmente, como temor pelo que é desconhecido; o que leva ao apego à ignorância. E o que faz a ignorância, além de iludir o ignorante, comodamente? Com certeza é mais fácil iludir-se com verdades vazias, a buscar o conhecimento e ultrapassar as barreiras impostas pela ignorância.
                Ao sair da caverna, o prisioneiro descobre que todo o conhecimento que lhe foi imposto, constituía-se de ilusões. Todas as definições sobre coisas existentes eram falsas. A partir do momento que a luz do sol atinge seus olhos, ele descobre que comparada a ela, a luz da fogueira não era nada. E quando vê as pessoas, os animais e as plantas, descobre que as sombras que via pela parede da caverna, não eram nada comparado aos seres em si.
                Então, quando a luz da sabedoria brilhava no prisioneiro liberto, ele quis emaná-la diante da treva, dissuadindo os outros prisioneiros das ilusões as quais acreditavam serem verdades. Mas ali, dentro da caverna, ele já era diferente; não mais se tratava de um membro da massa; mas agora da minoria. E ao explicitar sua diferença para com a massa, depara-se com a intolerância. Ali na caverna, ninguém se submeteria às dores sofridas pelo prisioneiro liberto, em seu desapego à ignorância. Muito mais cômodo a eles seria aceitar as ilusões, acreditando ainda tratar-se de verdades. Temiam o desconhecido. Temiam perceber que tudo o que entendiam por verdade, era apenas uma sombra do que é real.
                Fazendo um paralelo entre a Alegoria e o cotidiano, o que se percebe? Uma sociedade a que verdades foram impostas – majoritariamente pela Igreja e pela mídia. Quem são esses donos da verdade absoluta, senão seres humanos? Qual a garantia de que tais verdades absolutas não passam de ilusões? E mesmo sem tal garantia, o que é presenciado no cotidiano? Os que acreditam nas verdades impostas agem da mesma forma como a massa de indivíduos que não saíram da caverna. A intolerância perante as minorias.
                E a paz – a boa convivência – nunca será total, quando afastada da sabedoria. Esta segunda, por sua vez, nunca será alcançada se o indivíduo limitar-se, não tolerando o diferente. Pois é das diferenças que aprendemos o novo. O igual já é conhecido, certo?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Amanda, nunca mais (verídico)

O carro fora freado bruscamente. A pequena Amanda, assustada, arregalara os olhos. O que será que havia acontecido?
- Nunca mais diga isso! – gritou seu pai, virando-se para o banco de trás, onde estava sentada a criança. – Fui claro?
Não. Ela não conseguia, em sua inocência infantil, ver alguma clareza naquilo. Por que seu pai exaltara-se daquela forma, de repente? Ela só estava lhe contando seu dia. E fora um dia feliz, em que sua coragem e atitude fizeram a diferença. Pois ela ajudara uma amiguinha, Fernanda, protegendo-a das provocações de outro coleguinha, que sempre arranjava confusão com todo mundo da escola.
Ela só contara a seu pai que, se fosse “gente grande”, se casaria com Fernanda, tamanha era a admiração depositada na amiguinha. O que havia de errado naquilo? Ela não entendia...
- Fui claro?! – gritou seu pai. Amanda permanecia com os olhinhos arregalados. Agora marejados, devido ao medo que sentia daquele adulto, gritando com ela.
E apesar de sua inocência, livre da intolerância aprendida e vivida pelos adultos, impedir que ela compreendesse e concordasse com a exaltação repentina de seu pai, Amanda respondeu:
- Foi sim, papai. – era uma voz tímida, fraca, impotente perante àquele adulto, com sua voz imperiosa e determinante.
A inocência de Amanda, vencida pelo medo que ela sentira do adulto, nunca mais seria a mesma. Fora corrompida, dilacerada. Agora, não mais a inocência comandaria suas ações. Mas o medo.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Um papo com mamãe (verídico)



                Havia dias, a mãe de Thiago iniciara as indiretas. Ela queria, na verdade, uma posição definitiva do filho.
                Ele estava usando o computador, quando ela entrou no escritório, falando:
                - Sabe, filho, eu estava lembrando aqui. Nós temos o livre-arbítrio. A gente sempre pode escolher o caminho que queremos seguir.
                Thiago conhecia o motivo pelo qual sua mãe fora levada a lhe dizer aquilo. Todos os dias eram mais e mais indiretas. Ele já não agüentava mais.
                - Se você quiser você pode usar o livre-arbítrio para mudar... – ela continuava dizendo.
                - Mãe. – Thiago interrompeu. – Você decidiu ser hetero?
                Ela não soube o que responder. E tinha medo do que ouviria em seguida.
                - Não, você não decidiu isso. Ninguém opta pela natureza de sua sexualidade. Porque ela é natural, entende? Quando as crianças vão crescendo, sua sexualidade é despertada, naturalmente. Para você, o que mudou foi a forma como via os meninos. Você começou a ver os meninos de outra forma. Comigo, aconteceu essa mesma coisa.
                Infelizmente, o abraço que os dois deram após essa conversa, de nada serviria no futuro. A compreensão aparentada pela mãe era... Só aparência.
                Na verdade, a mãe não entendera a essência daquelas palavras. Se a sexualidade é uma característica natural, faz parte da natureza de cada um. E o que é natural, não é mutável.


           

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um papo antes da novela...

- Eles dizem que não, mas isto é a criação. Essas bichas devem ter sido paparicadas como bonecas, ou não tiveram um pai que os ensinassem a serem machos. – dizia o pai.
Marta, como sempre, balançou a cabeça afirmativamente, em concordância.
- Nosso sobrinho.  – ela começou. – Rafael foi criado cheio de mimos pela minha irmã. E hoje é um jovem problemático, um veadinho de marca maior.
 O que os dois não sabiam, era que Fabio, filho deles, “ensinado a ser macho”, sofria toda vez que ouvia tais comentários sobre homossexuais. Temia surgirem trejeitos ou desejos demasiadamente perceptíveis, o que acarretaria em enorme discórdia em sua casa. Temia a si próprio, pois temia seus pais.
Fabio saiu de seus devaneios, quando seu pai respondia às palavras da mãe.
- Tem razão. E pensar que aquele garoto freqüentou nossa casa... Você não tem mais contato com ele, não é mesmo Fabio? Esse Rafael virou um marginalzinho.
Sentindo pena pelo primo, com a mesma idade e que se assumira aos pais, Fabio perguntou:
- E quem o marginalizou, pai? 

Objetivo do blog e motivo do título

   Este blog visa uma abordagem diferenciada sobre a questão homossexualidade. Abordagem esta, crítica, que, em suma maioria, focará a família. Meu maior desejo é que os pais de jovens homossexuais consigam encontrar aqui algumas respostas, que consigam entender o que se passa na cabeça de um jovem quando descobre a natureza de sua sexualidade. E para os homossexuais que lerem, que encontrem aqui um apoio, caso precisem, para suas aflições; e, caso não precisem, que encontrem aqui um olhar crítico das situações que lhes rodeiam. Já para os leitores que não se encaixam em nenhum destes grupos, que abram as portas de suas mentes para a compreensão.
   O termo arco-íris, empregado no título do blog, faz alusão ao que todos conhecem sobre a homossexualidade; aquilo o que é visível, e que dá espaço para a formação de "pré-conceitos", quando o observador não reflete sobre o observado.
   Aqui, vocês irão além deste arco-íris. Não ficaremos na superfície, mas aprofundaremos a questão. Que se formem os conceitos - bons ou ruins -, mas que por ter bases concretas, não sejam denominados pré-conceitos. Talvez, assim, todos encontrem o que existe além deste arco-íris; não será um pote de ouro, mas será sabedoria e tolerância.