Havia dias, a mãe de Thiago iniciara as indiretas. Ela queria, na verdade, uma posição definitiva do filho.
Ele estava usando o computador, quando ela entrou no escritório, falando:
- Sabe, filho, eu estava lembrando aqui. Nós temos o livre-arbítrio. A gente sempre pode escolher o caminho que queremos seguir.
Thiago conhecia o motivo pelo qual sua mãe fora levada a lhe dizer aquilo. Todos os dias eram mais e mais indiretas. Ele já não agüentava mais.
- Se você quiser você pode usar o livre-arbítrio para mudar... – ela continuava dizendo.
- Mãe. – Thiago interrompeu. – Você decidiu ser hetero?
Ela não soube o que responder. E tinha medo do que ouviria em seguida.
- Não, você não decidiu isso. Ninguém opta pela natureza de sua sexualidade. Porque ela é natural, entende? Quando as crianças vão crescendo, sua sexualidade é despertada, naturalmente. Para você, o que mudou foi a forma como via os meninos. Você começou a ver os meninos de outra forma. Comigo, aconteceu essa mesma coisa.
Infelizmente, o abraço que os dois deram após essa conversa, de nada serviria no futuro. A compreensão aparentada pela mãe era... Só aparência.
Na verdade, a mãe não entendera a essência daquelas palavras. Se a sexualidade é uma característica natural, faz parte da natureza de cada um. E o que é natural, não é mutável.

Isso aconteceu com vc? Bom, comigo foi praticamente igual e acredito que com muita gente tbm... meus pais fingem que entendem, mas no fundo acreditam que eu escolhi ser "diferente" ;)
ResponderExcluirAconteceu, sim. E realmente acredito que aquele primeiro abraço não foi fingimento. Mas logo depois, o repúdio à diferença, já instaurado na sociedade, falou mais alto para ela.
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